Psicoterapia Infantil, o brincar e a família terapêutica.

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A psicoterapia infantil é uma atividade terapêutica que se propõe a auxiliar a criança em suas dificuldades. A criança pode estar com seu desenvolvimento emocional atrapalhado e assim prejudicar sua qualidade de vida atual e futura.

Uma criança saudável, tem como “tarefa” desenvolver suas capacidades e adquirir conhecimento para vivenciar outras fases da vida. É trabalho psíquico importante crescer e ampliar suas potencialidades.

Esse “trabalho infantil” de crescer, desenvolver e expandir é feito primordialmente através do brincar!

O brincar é a ferramenta lúdica e eficiente para tudo que a criança precisa no seu desenvolvimento normal. Assim adultos, pais, professores e psicoterapeutas precisam garantir que a criança possa ter tempo e espaço para o seu brincar criativo.

Na psicoterapia o brincar também é importante e se tornará elemento fundamental da sessão terapêutica. O profissional estará entrando em contato com a criança, brincando e entendendo o que está acontecendo com ela e sua família.

Alguns pais, que trazem seus pequenos para atendimento psicológico perguntam-se sobre a eficácia do tratamento, pois observam que as crianças “só” brincam com seus terapeutas. Podemos esclarecer que a psicoterapia através do brincar é eficiente porque é a forma como psicólogos e pacientes infantis estabelecerem a comunicação e a relação terapêutica.

Neste espaço especializado, na sessão de psicoterapia, o paciente terá sua “caixa de brinquedos” pessoal e sigilosa, ou seja, um representante de que aquele espaço e materiais são seus. Mesmo que o terapeuta utilize brinquedos coletivos como jogos, casinha terapêutica ou outros, é importante ter a própria caixa para cada paciente.

Indicamos que a caixa seja montada de acordo com a idade do paciente e que possa conter materiais variados para seu manejo. Incluímos a família terapêutica como instrumento útil para que a dupla possa trabalhar.

O recurso da família terapêutica tem se mostrado muito importante e eficiente. A forma como a criança dispõem na sessão terapêutica, como utiliza, como organiza, como brinca falará muito de como sente as dinâmicas familiares. Também podemos observar com quem a criança identifica-se e como cria a brincadeira.

Como exemplo um paciente que em toda sessão, preocupa-se com o lugar que cada membro da família ocupa e se terá cadeiras suficiente para todos sentarem, ou seja, lugar para todos nesta família. A primeira vez que teve contato com a família terapêutica e a casinha terapêutica, o paciente a cercou com soldadinhos para proteção.

Outro exemplo é a menina que escolhe as crianças da família terapêuticas como protagonistas na sessão. As crianças só podem brincar subindo no telhado, escondendo-se dos adultos, não podendo brincar em outro lugar da casa. Neste caso a “brincadeira” da paciente oportunizou terapeuta e paciente conversar e pensar sobre como sente-se em sua casa e qual o espaço para brincar e criar. Esta menina apresentava grande inibição criativa e agressividade.

Existem muitas situações para exemplificar o quanto é rico o material produzido pelo paciente que tem em sua caixa a família terapêutica. Até mesmo a rejeição, por parte da criança, em utilizar a família terapêutica indica conteúdo que o profissional, com olhar cuidadoso e treinado, poderá identificar no contexto familiar daquela criança.

Não são feitas generalizações de interpretações. O que representa para uma criança pode ser totalmente diferente para outra.

A psicoterapia de crianças, como de adultos, é um trabalho único que ocorre com aquela dupla de trabalho e deve ser entendida na sua particularidade.

Utilize a família terapêutica e envie suas observações e comentários. Ficaríamos muito satisfeitos em trocar ideias com vocês colegas.

Cristiane de Paula Vieira- Psicóloga

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