A incompletudade das relações

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amor siteFreud afirma que o principal veículo utilizado pela humanidade para a busca da felicidade é o amor. Desde já, podemos pensar na controvérsia desta afirmação, pois não é novidade que este assunto está no “TOP 10” dos mais comentados nos meios sociais e mais trabalhados dentro dos consultórios psicoterápicos.

O mesmo autor refere que o amor, está relacionado com as nossas experiências primitivas infantis. Ainda assim, está intimamente relacionado ao que mais amamos em nós mesmos. Isto quer dizer que, quando nos apaixonamos por alguém, vemos ou buscamos encontrar nessa pessoa, partes nossas ou algo de bom que gostaríamos de ter, dentro de nós mesmos.

Colocamos na figura do amado, toda a expectativa daquilo de tão bom que nos falta e que precisamos. Não é a toa que expressões como : “a metade da laranja”, são usadas para se referir a uma união “perfeita”.

Somos incompletos desde sempre! Porém, esta incompletude, nos coloca na cilada de desejarmos que o outro, aquele ser amado, nos dê o que nos falta. Aí que entra a “desilusão”. Também brincamos muito com a ideia de que início de namoro, ou de casamento, é um “mar de rosas”. E talvez a explicação dessa impressão, seja que no início dos relacionamentos, ainda não estamos preparados para perceber as características reais da pessoa que escolhemos para estar ao nosso lado. Portanto, passamos por um tempo de idealização do parceiro, para que aos poucos, possamos tolerar a frustração de que ele não pode nos dar tudo o que necessitamos, ou seja, mesmo acompanhados, seguiremos incompletos!

Na atualidade percebemos a liquidez das relações, o imediatismo da vida cotidiana e esse modo de vida, respinga nas relações amorosas.Não estamos acostumados a lidar com a raiva, tristeza e frustração que sentimos ao perceber o quão real e humano é o nosso parceiro. Inclusive são diversos os aplicativos, acessados por milhares de pessoas, em diversas partes do mundo, que trazem à tona a necessidade do ser humano de ter um par. Porém, em função das questões citadas acima, a busca por um parceiro, em algumas situações, se torna vazia e sem sentido, o que facilita a entrada em relacionamentos inférteis e superficiais.

Por outro lado, passado o momento de idealização e suportado o momento de desilusão, passamos a criar uma relação madura, continente e estável, ao suportar todas as provas que passamos neste processo. Esta relação tende a ser mais duradoura, pois os pilares estão mais fortes e baseados nos dados reais e não só ideais. O amor pelo que é do outro, mesmo que seja muito diferente do que desejamos, auxilia no processo da formação de um vínculo seguro, na medida em que aprendemos a lidar com o que nos falta, sem desejar a todo momento, que isso seja suprido pelo parceiro.

Portanto, acima de tudo, amar é compreender a sua própria falha. É aceitar o que vem do outro, sem maiores expectativas. É suportar a frustração de que nada saiu como o planejado. É reconhecer a diferença e se beneficiar dela.

Bruna Machado Meneghetti.

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