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Precisamos falar sobre a violência sexual contra as crianças e adolescentes

Assunto delicado, mas urgente de ser tratado e debatido pela sociedade é o da violência sexual contra as crianças e adolescentes. Em maio, mais precisamente dia dezoito, é o dia de combate ao abuso e exploração sexual, contudo necessitamos pensar sobre a proteção aos nossos jovens todos os dias.

É alarmante a incidência destes crimes e segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos em 2014, foram registradas 24.575 queixas, sendo 19.165 referente a abuso sexual e 5.410 de exploração sexual. Entendemos como abuso sexual quando a criança é levada ou obrigada por um adulto a manter práticas sexuais, com ou sem contato físico. Já a exploração é a relação sexual que envolve pagamento por meio de dinheiro ou benefícios.

A partir disso convido a pensar nos inúmeros aspectos psicológicos colocados em risco para estas crianças, além dos físicos naturalmente. A infância é um momento especial que propicia ao ser humano o desenvolvimento de elementos como criatividade, espontaneidade, desenvolvimento de vínculos emocionais saudáveis, a sexualidade, ou seja, uma boa condição emocional como base para o futuro adulto.

A infância como a conhecemos nasceu no século XVI. Anteriormente, acreditava-se que as crianças eram “mini adultos” e, portanto, poderiam participavam “sem problemas” do universo de “gente grande”. Será que isto realmente mudou?

Acredito que infelizmente não. O universo infantil está corrompido pela invasiva sexualização do universo adulto e os prejuízos são enormes. A criança tem sua “infância roubada” e terá que buscar reparar a confiança perdida e a curiosidade inibida em algum momento futuro de sua vida.

Contudo os prejuízos ainda podem ser maiores, me refiro quando o adulto, o cuidador, não considera o pedido de ajuda que a criança conseguiu fazer. Infelizmente muitos casos de abuso são cometidos por pessoas próximas e isto pode inibir a criança a denunciar. Mas mesmo quando esta consegue expressar é terrivelmente assustador quando o adulto põe em dúvida o ocorrido. A criança fica totalmente desamparada.

Frente a denúncia da criança, alguns adultos questionam-se sobre a veracidade considerando que as crianças podem fantasiar situações. Porém ouça atentamente, verifique e proteja a criança quando esta relatar uma situação. Em alguns casos o relato pode ser feito com poucos detalhes, mas conseguiremos diferenciar de situações fantasiadas quando evidenciamos mudança de comportamento da vítima e percebemos elementos estranhos, hipersexualizados no discurso, gesto ou desenho. Dificilmente neste caso, o relato será somente uma criação imaginativa.

Os pequenos mostram que algo não está bem com mudanças bruscas de comportamento ou no adoecimento do corpo e precisamos saber identificar esses pedidos de socorro.  Fique sempre atento a mudanças de humor, agressividade, isolamento, ansiedade elevada, somatizações, sexualização inadequada, dificuldades de aprendizagem, dificuldade de fala ou súbita mudança de relacionamento.

Frente ao desamparo e ao não acolhimento da denúncia é comum aparecer o sentimento de culpa na criança. Esta percebe que seu ambiente não é mais seguro e que ocorreu uma invasão, então a insegurança e desproteção transformam-se em culpa, como se a criança pensasse que não sofreu a violência, mas que provocou no adulto a ação inadequada.

Alguns cuidados são essenciais, como conhecer bem as pessoas com que a criança tem convívio, ficar atento aos sinais emocionais e mudanças bruscas de comportamento, procurar ter uma escuta verdadeira pela criança.

Todos nós somos responsáveis pela proteção da infância. Pense nisso!

Um abraço

Cristiane de Paula Vieira- Psicóloga CRP 07/0815

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