Grupo de Estudos da Prerinatalidade: A Vulnerabilidade Humana

A discussão do grupo de estudos tece um panorama completo da vulnerabilidade humana que se manifesta de forma aguda nos extremos da vida, reforçando a máxima de que “é preciso uma aldeia” para sustentar o ciclo da existência em seus momentos de crise vital, do bebê ao idoso.

O Ciclo da Vulnerabilidade: Do Nascimento ao Idoso

A vulnerabilidade é o fio condutor que une os temas de estudo na quinta dia 23 de outubro de 2025. O grupo conversou sobre a dependência do bebê e as exigências de entrega total da mãe, nesse paralelo o idoso também nos remete a pensar que a dependência  (evidenciada nos desafios de gestão financeira e cuidado) exige a reestruturação e a paciência da família. Em ambos os momentos, a sobrecarga e as exigências de cuidado geram sentimentos complexos e, por vezes, hostis, destacando a necessidade de suporte familiar e comunitário, como também ao acolhimento destes sentimentos dolorosos na pessoa que busca ajuda. 

A Crise Psíquica da Perinatalidade: o conceito de transparência de Bydlowski

No universo do nascimento, a psicanalista Monique Bydlowski oferece uma lente para compreender a crise psíquica da gestante através do conceito de Transparência Psíquica (1997). Este estado não é uma doença, mas uma crise maturativa essencial, onde a gravidez provoca um afrouxamento temporário das defesas psíquicas.

Essa “transparência” permite que conteúdos inconscientes e memórias arcaicas (especialmente a relação com a própria mãe) aflorem espontaneamente. Ao revisitar e integrar seu passado, a mulher adquire a plasticidade psíquica necessária para investir no bebê e para a construção saudável da parentalidade.

Ambivalência e o Acolhimento desse Sentimento

A intensidade dessa reestruturação psíquica somada a  ambivalência natural dos sentimentos humanos torna as relações de dependência assustadoras. Contudo ainda há muito pudor em abordar o  “ódio materno” até mesmo entre profissionais de saúde mental.O grupo discute a coexistência de amor e ódio como sentimentos inerentes à maternidade e ao cuidado. A tarefa do profissional de saúde mental é, portanto, criar um espaço seguro para acolher essa ambivalência (que se manifesta fortemente no puerpério), permitindo que a mãe elabore a totalidade de seus afetos sem o peso do julgamento social.

Nosso grupo segue nas quintas-feiras quinzenalmente de forma remota, venha estudar conosco!

Cristiane Vieira – Psicóloga

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 Komniski, P. N. (2023). A travessia da maternidade. São Paulo: Editora Blucher.

Bydlowski, B. (1997). Transparence psychique due à la grossesse. Attraction par l’objet interne.

(Tradução: Transparência psíquica devida à gravidez. Atração pelo objeto interno).

Livro que Consolidou o Conceito (2002):

Bydlowski, M. (2002). La Dette de Vie: itinéraire psychanalytique de la maternité. Paris: Presses Universitaires de France (PUF).

    • (Tradução: A Dívida da Vida: itinerário psicanalítico da maternidade).

         

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