A Psicoterapia Breve Psicanalítica é uma modalidade de tratamento que se fundamenta na teoria e na técnica psicanalítica, mas que incorpora elementos de manejo específicos para otimizar o processo em um tempo limitado.
Os elementos centrais dessa abordagem são:
1. Foco (ou Focalização)
- Definição: É o elemento mais característico da Psicoterapia Breve. Consiste na delimitação de um tema central a ser trabalhado, que se relaciona diretamente com a queixa principal do paciente e com um conflito inconsciente subjacente.
- Objetivo: O foco serve como um “norte” para o terapeuta e o paciente, orientando a escuta e as intervenções e evitando dispersões para questões periféricas. O material trazido (sonhos, lapsos, atos falhos) é interpretado em função desse foco principal.
2. Limite de Tempo
- Definição: O tratamento tem uma duração pré-determinada (ou, pelo menos, uma meta de tempo) que é acordada no início. Geralmente, o número de sessões é reduzido em comparação com a psicanálise clássica (podendo variar de poucas sessões a, tipicamente, até um ano).
- Função: O limite de tempo atua como um fator mobilizador. A proximidade do término gera uma urgência que estimula o paciente a trabalhar as resistências e a elaborar os conflitos mais rapidamente.
3. Atividade e Postura do Terapeuta
- Atividade: O terapeuta assume uma postura mais ativa do que na psicanálise tradicional. Isso se manifesta em:
- Intervenções mais “diretas”
- Uso de interpretações focadas no material relevante para o conflito central (o que trouxe o paciente a sessão)
- Manutenção do foco (às vezes, trazendo o paciente de volta ao tema, caso tenha “fuga” de temas inicialmente acordado)
- Manejo: O terapeuta pode funcionar, em certos momentos, como um “auxiliar terapêutico”, fortalecendo o paciente e promovendo a adaptação sadia e a elaboração de lutos e perdas.
4. Uso de Conceitos Psicanalíticos (Adaptados)
Embora o tempo e o foco sejam limitados, a base do trabalho é psicanalítica, utilizando:
- Aliança Terapêutica: O estabelecimento de um vínculo de confiança e colaboração é crucial para o sucesso em um tratamento breve.
- Transferência e Contratransferência: São utilizadas e interpretadas, mas de forma mais seletiva e direcionada ao foco. O objetivo não é uma análise profunda destes elementos, mas sim utilizá-la para a compreensão do conflito focal e para promover a “experiência emocional transformadora”.
- Interpretação: As intervenções interpretativas são focais, visando à redução do sintoma e à restauração do nível de funcionamento saudável. A meta é uma mudança pontual e elaborativa no foco.
Em resumo, a Psicoterapia Breve Psicanalítica combina a profundidade teórica da Psicanálise (uso de conceitos como inconsciente, conflito, transferência) com restrições técnicas (limite de tempo e foco) para alcançar objetivos terapêuticos específicos em um prazo mais curto.
REFERENCIA BIBLIOGRAFICA
BRAIER, Eduardo A. Psicoterapia breve de orientação psicanalítica. Tradução de IPEPLAN. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
FIORINI, Héctor J. Teoria e técnica de psicoterapias. Tradução de Maria Stela Gonçalves. 11. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.
KNOBEL, Maurício. Psicoterapia breve. São Paulo: EPU, 1986.