Lendo Ferenczi: Grupo de Estudo

Data

Primeira e Terceira segundas - feiras do mês (Reinício 02.03.2026)

Horário

20 horas

Plataforma

Google Meet

Público-Alvo:

Psicólogos, Psicopedagogos, estudantes de psicologia em estágio

O Grupo de Estudos sobre Ferenczi irá fazer leituras das obras completas do autor.

Venha estudar conosco!

Estamos estudando no Volume II

 

Sándor Ferenczi. 

Considerado o enfant terrible da psicanálise, por sua ousadia em enfrentar questões delicadas no corpo teórico e clínico da mesma, e por sua dedicação ao que fora deixado de lado na obra de Freud, Sándor Ferenczi se destacou como um dos seus discípulos prediletos, bem como seu mais significativo colaborador. Pertencente à primeira geração da psicanálise, foi um dos organizadores e defensores do movimento psicanalítico, tendo sido dele a idéia de que um pequeno grupo de homens pudesse ser analisado por Freud pessoalmente, para depois transmitir a psicanálise em suas cidades de origem. Essa prática acabou por dar origem à análise didática e, mais tarde, à institucionalização da psicanálise, com a fundação da International Psychonalytical Association – IPA, criada por ele a pedido de Freud. Conhecido por ser um analista eminentemente clínico, se ocupou da teoria do espaço analítico e do lugar do analista, distinguindo-se de Freud que tratou, mais especificamente, da estruturação do aparelho psíquico.

(…)

Resenha elaborada por Maria Nilza Mendes Campos, do Instituto de Psicanálise Virgínia Leone Bicudo, da Sociedade de Psicanálise de Brasília.

https://febrapsi.org/publicacoes/biografias/sandor-ferenczi/

O Volume II das Obras Completas de Sándor Ferenczi, intitulado “Psicanálise II”, é uma peça fundamental para compreender a evolução do pensamento deste autor, cobrindo o período de 1913 a 1919.

Nesta fase, Ferenczi já estava profundamente estabelecido no movimento psicanalítico, e seus textos refletem uma transição de observações clínicas iniciais para formulações teóricas e técnicas mais ousadas. Este volume é particularmente conhecido por introduzir conceitos sobre o desenvolvimento do sentido de realidade e as bases da técnica ativa.


Principais Eixos Temáticos

Os textos reunidos neste volume podem ser organizados em três grandes áreas de interesse:

1. Desenvolvimento do Ego e Realidade

O texto mais célebre deste volume é, sem dúvida, “Estágios no desenvolvimento do sentido de realidade” (1913). Nele, Ferenczi descreve como a criança passa da onipotência do pensamento para o reconhecimento do mundo exterior, mapeando fases como a “onipotência por gestos mágicos”.

2. Neuroses de Guerra e Trauma

Dado o contexto da Primeira Guerra Mundial, o volume inclui contribuições cruciais sobre as “neuroses de guerra”. Ferenczi foi um dos primeiros a observar como o trauma físico e psíquico se manifestava nos soldados, influenciando sua teoria posterior sobre a fragmentação e o trauma infantil.

3. Técnica Psicanalítica

Nesta época, Ferenczi começa a questionar a passividade do analista. Textos como “A técnica psicanalítica” (1919) e “Dificuldades técnicas de uma análise de histeria” (1919) lançam as sementes do que ele chamaria mais tarde de “Técnica Ativa”, sugerindo que, em certos casos, o analista deve intervir mais diretamente para mobilizar a libido do paciente.


Lista de Textos Incluídos (Cronologia Principal)

Abaixo, os títulos de destaque que compõem este volume:

Ano Título do Texto
1913 O desenvolvimento do sentido de realidade e seus estágios
1913 Um pequeno homem-galo (Análise de uma fobia infantil)
1913 Ontogênese dos símbolos
1914 A ontogênese do interesse pelo dinheiro
1914 Sensações de vertigem ao fim da hora analítica
1916 Psicanálise e Higiene
1916 Dois tipos de neurose de guerra
1917 Psicanálise das afecções orgânicas
1919 Fenômenos de materialização histérica
1919 Dificuldades técnicas de uma análise de histeria
1919 O pensamento de Freud sobre a “Psicologia das Massas”

Por que este volume é importante para sua prática?

Considerando seu interesse pela clínica, este volume é uma excelente fonte para discutir a “metapsicologia dos processos de cura”. O texto sobre o “sentido de realidade” é vital para entender pacientes com organizações mais arcaicas ou dificuldades de simbolização, enquanto os textos de 1919 oferecem um panorama histórico valioso sobre como o manejo técnico começou a ser flexibilizado para atender às necessidades do paciente.

O Desenvolvimento do Sentido de Realidade e seus Estágios (1913)

Neste texto clássico, Ferenczi descreve o processo de transição do Princípio do Prazer para o Princípio da Realidade. Ele propõe que o bebê não nasce com a percepção de um mundo externo, mas passa por quatro estágios de “onipotência” antes de aceitar a realidade como ela é:

  • Período de Onipotência Incondicional: O estágio intrauterino, onde todos os desejos são satisfeitos automaticamente, sem esforço.

  • Período de Onipotência Mágico-Alucinatória: Após o nascimento, o bebê tenta “alucinar” a satisfação. Ao sentir fome, o desejo por si só deveria trazer o seio.

  • Período de Onipotência por Gestos Mágicos: A criança percebe que precisa realizar uma ação (como o choro ou movimentos corporais) para que o mundo responda às suas necessidades. O gesto é sentido como uma ordem mágica que altera o exterior.

  • Período de Pensamentos Mágicos e Palavras Mágicas: Com a aquisição da linguagem, a criança acredita que nomear algo é equivalente a possuir ou criar essa coisa.

Conclusão do texto: O “Sentido de Realidade” só é plenamente estabelecido quando o indivíduo aceita que o mundo exterior é independente de seus desejos e que o pensamento e a ação são distintos.


2. Um Pequeno Homem-Galo (1913)

Este é o relato clínico de Arpád, um menino de cinco anos que desenvolveu uma fobia intensa de galos após um incidente em que um galo o bicou (ou tentou bicar) seu pênis enquanto ele urinava em um galinheiro.

Pontos-chave do caso:

  • Ambivalência: Arpád alternava entre o terror dos galos e uma identificação obsessiva com eles. Ele imitava o cacarejo, o comportamento das aves e até pedia para ser “abatido” como um frango.

  • Deslocamento: Ferenczi demonstra como o medo do galo era, na verdade, o medo do Pai (Complexo de Édipo). O galo, com sua crista vermelha e autoridade no galinheiro, era o símbolo perfeito para o deslocamento da angústia de castração.

  • Identificação com o Agressor: Ao agir como um galo, Arpád tentava dominar ativamente o medo que sentia passivamente. Ele “se tornava” o objeto temido para não ser mais a vítima.


 

Price range: R$60,00 through R$90,00

Primeira e Terceira segundas - feiras do mês (Reinício 02.03.2026)

Quer saber mais sobre
Lendo Ferenczi: Grupo de Estudo?

Envie sua pergunta

Este site utiliza cookies

Utilizamos cookies para personalizar conteúdo e anúncios, fornecer funcionalidades de redes sociais e analisar o nosso tráfego.